quarta-feira, 14 de junho de 2017

Aprendendo a conjugar um novo verbo em Feira de Santana: BRTar



Nas minhas caminhadas, hoje pela manha, vi outro absurdo, no cruzamento da Avenida Sampaio com a Comandante Almiro: água limpa sendo desperdiçada. Esse fato já faz parte do cotidiano de alumas das principais avenidas daqui. Numa cidade como a nossa, que não consegue dar conta da demanda de água à população, muito menos a dos distritos, essa é uma grande contradição: jogar água limpa aos bueiros. 
Feira de Santana tem sido BRTada por esse governo municipal. Nas últimas cinco gestões, a cidade é o retrato de uma "república velha", dominada pelos "coronéis", "bacharéis", oligárquicos que definem sua feição, moldam seu corpo, ao mesmo tempo que o deteriora. Não existe um legislativo que represente as classes trabalhadoras dessa cidade, nem tão pouco que fiscalize e denuncie as ações arbitrárias desse governo. Não é à toa que estamos presenciando, ao longo dos anos, diversos desmandos, como: a eterna falta de um Plano Diretor, a lenta e mal-feita reforma do Mercado de Arte Popular, a imposição do projeto de BRT, o maquiavélico projeto do Shopping Popular, o massacre aos artesãos do Centro de Abastecimento e aos camelôs, dentre outros. O governo atual, dito democrático, aliás, como é de hábito, continua governando essa cidade autoritariamente, sem considerar os interesses da maioria da população.
O povo marginalizado só será percebido quando confrontar, de fato, ao autoritarismo e desmandos desse governo. 
Até quando seremos BRTados nessa cidade?
Vamos organizar nossa indignaçao e BRTarmos o governo municipal. Esse sim, merece!

quarta-feira, 7 de junho de 2017

OS LEPETRECOS

Vale a pena conferir OS LEPETRECOS! 
 Abordando temáticas que envolvem o universo infantil, tais como: preconceito racial, racismo, individualidades e diferenças, Os Lepetrecos promete ser um projeto inovador. O idealizador é o ator Jean Marques. Vale a pena conferir e apoiar!
https://www.catarse.me/oslepetrecos?ref=facebook&utm_source=facebook.com&utm_medium=social&utm_campaign=project_share_insights


terça-feira, 6 de junho de 2017

PRIMEIRAMENTE, FORA TEMER! DEPOIS, DIRETAS JÁ! E AGORA, P A L H A Ç A R I A!!!


Em tempos de crises política e social, onde a desesperança insiste em bater na nossa porta, entendemos, mais do que nunca, que precisamos "encontrar o palhaço que existe dentro de nós". Reinventar-se é mais do que preciso! É um imperativo. Reinventar o espaço que vivemos, as relações, as amizades; a vida. Tudo isso passa pelo prazer, pela criatividade, pela arte da gargalhada. Foi pensando em possibilidades de reinventar o nosso lugar, as nossas relações e de fazer melhor a nossa arte que o Espaço Gaia teve o prazer de convidar e recepcionar, durante um mês, o querido Márcio Negócio - artista brasiliense, palhaço, poeta, ator, músico, artista plástico, que, atualmente, circula com o espetáculo/palhaçaria, ZAP! Fomos presenteados com o Palhaço Zezo, que armou o circo para todo mundo vê no Quilombo Rio dos Macacos, esteve no CSU com as crianças do semi-árido baiano, nas comemorações dos 50 anos do MOC, e juntamente conosco, promoveu a primeira Oficina de Palhaçaria: Um TOMBO no Palhaço. E, nos fez mergulhar na arte da palhaçaria e no universo circense, com Jogos teatrais, gag’s, improvisaçoes, técnicas e brincadeiras. Foi uma oportunidade ímpar. 
Com certeza, foi o começo de uma parceria que seguirá durante muito tempo por nossa amada Bahia. É assim que o Espaço Gaia segue lançando suas mais altas sementes de esperança, e dizendo: 
FORA TEMER!
DIRETAS JÁ!
O AMOR É, SOBRETUDO,GARGALHADA!



quinta-feira, 26 de maio de 2016

TOLERÂNCIA ZERO: ATÉ QUE TODAS NÓS SEJAMOS LIVRES DA CULTURA DO ESTUPRO!


Acordamos hoje, 26 de maio de 2016, com a terrível notícia de que uma jovem de 17 anos foi estuprada por 30 homens no Rio de Janeiro. A bandeira que todas nós, mulheres brasileiras, especialmente nós dos movimentos feministas, levantamos hoje, é a do LUTO. Como nos calar diante de tamanha violação de direitos? Como silenciar nossas vozes diante dessa violência escancarada, dessa cultura do estupro legitimada até mesmo por aqueles que deveriam garantir nossa segurança? À nossa frente está uma sociedade violenta, misógina, escrota, sacana, apodrecida pela impunidade e pelo descaso para com os direitos sociais das mulheres. Os nossos gritos devem ecoar nas ruas! As nossas bandeiras devem ser hasteadas e nelas as vozes de protesto.
Segundo o Mapa da Violência, de novembro de 2015, o Brasil é o 5º país no mundo no ranking da violência contra mulheres. Todos os dias, nesse país, mulheres sofrem violências das mais diversas formas e nos mais diferentes contextos e lugares.
A cada 11 minutos uma mulher é estuprada no Brasil. Nos últimos 10 anos houve um aumento de 54% no número de homicídios de mulheres, especificamente de mulheres negras. A maioria dessas mulheres era negra e tinham entre 18 e 30 anos.
A cultura da violência contra mulheres é solidificada principalmente pela impunidade que existe no nosso país em relação aos agressores. Pasmem! 99% dos agressores sexuais do Brasil estão soltos. Em 2014, por exemplo, Alexandre Frota contou, num programa de televisão, como havia estuprado uma mulher de religião matriz-africana. Pasmem novamente: ao contar a história do estupro, ele foi aplaudido pelo auditório em meio aos sorrisos dos ouvintes. Até mesmo no Congresso Nacional, podemos visualizar casos de impunidade aos agressores de mulheres. Nesse mesmo ano, o deputado Jair Bolsonaro agressivamente se dirigiu a deputada Maria do Rosário dizendo que não a estuprava porque ela não merecia. E sabem o que aconteceu? Pasmem vocês: ele foi condenado somente a pagar uma indenização de R$ 10 mil reais.  E ainda continua com o mandato, ocupando uma cadeira no nosso legislativo, e sendo pago pelo dinheiro dos nossos impostos. Indenizações e pedidos de desculpas não bastam. Queremos JUSTIÇA! Queremos os criminosos presos!
Estamos diante de uma sociedade que legitima a violência em todas as instâncias, que faz apologia à cultura do estupro e da revitimização (ao expor socialmente as vítimas de violências), e que corrobora para a violação de direitos. Estamos diante de uma sociedade que expõe, culpabiliza e que julga moralmente as mulheres com base em conceitos sexistas, racistas e misóginos.  Convivemos diariamente com a violência não só nas ruas, mas em diversos espaços do nosso país, seja através das “cantadas” machistas, agressivas e misóginas nas ruas, seja nas atitudes machistas de muitos homens, colegas de trabalho, e até mesmo colegas de militância, muitos desses, se dizem defensores dos direitos das mulheres. Na verdade, a sociedade brasileira machista não consegue conviver com a emancipação das mulheres nem tão pouco consegue conviver com a ideia de mulheres ocupando espaços de poder. Uma das estratégias para nos afastar desses espaços é tentativa de deslegitimar, mostrar nossa “incapacidade”, nossa inabilidade, nos culpabilizar até por ser estuprada.
O machismo e a violência estão espalhados por todo o país, até mesmo em lugares que não esperaríamos. Há um movimento de silenciamento das mulheres nesse país. É preciso estar a todo tempo em sentinela, pois a qualquer momento “ os ladrões podem querer roubar” nossos direitos, nossas vozes, mesmo aqueles direitos que conquistamos mediante uma luta histórica, mesmo aqueles direitos garantidos e conquistados através de longos processos democráticos.   
É preciso lutar pela manutenção desses direitos, e ao mesmo tempo, é preciso lutar pelo rigor das punições de nossos agressores. Afinal, onde está o aparelho policial e jurídico desse país? Onde está a mídia que não notícia e nem mobiliza a população contra crimes hediondos como o estupro? O que falta afinal para que justiça seja feita às mulheres que são violadas nesse país?
Falta, na verdade, que as ações de enfrentamento à violência contra as mulheres sejam capilarizadas. É URGENTE: lutar radicalmente para que haja um erradicação da cultura da violência machista em o nosso país, lutar para que seja criada uma consciência pública da não tolerância à violência contra mulheres! Além disso, urgente também se faz, pressionar as instituições oficiais de proteção às mulheres para que deem a sociedade respostas concretas, precisas e em total defesa e reparação das mulheres que sofreram violência. É preciso promover às mulheres o respeito, a proteção e a garantia dos direitos humanos, o que inclui o direito à segurança, à liberdade e ao próprio corpo. Não só o movimento de mulheres no Brasil, mas toda a sociedade brasileira tem a tarefa de lutar pelo acesso à justiça, e de fazer valer as leis que existem e que garantem direitos  e reparação das mulheres que sofrem violências.
           Nenhuma mulher deve ser desrespeitada! Nenhuma mulher deve ser afetada em sua dignidade. Nenhuma mulher deve ser revitimada, sendo exposta socialmente ou culpabilizada ou mesmo vítima de julgamentos morais. Abaixo a cultura do estupro! Abaixo a misoginia! Abaixo a violência! SIGAMOS NA LUTA, COMPANHEIRAS, ATÉ QUE TODAS NÓS SEJAMOS, DE FATO, LIVRES! 

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

TRÁ, TRÁ, TRÁ: AS METRALHADAS DO GOVERNO MUNICIPAL NA EDUCAÇÃO DE FEIRA DE SANTANA.




Enquanto, nós, professoras, e professores estamos na luta contra os desmantelos que atingiram direta ou indiretamente, ao longo de mais de dez anos, a educação municipal do município, ainda tivemos que presenciar, nas últimas duas semanas deste mês de fevereiro de 2016, o total desrespeito aos professores e consequentemente, à educação do município de Feira de Santana. Primeiro, na condução da Jornada Pedagógica, principalmente no que diz respeito a falta de sororidade às professoras que participavam de um protesto legítimo, e especialmente a sindicalista Marlede Oliveira – a qual nós nos mostramos solidárias. Depois, no processo dessa semana, na sessão de Abertura dos trabalhos da Câmara de Vereadores, durante a manifestação das professoras e professores municipais, ainda presenciamos o descaso com a luta das professoras e dos professores. O descaso com que a gestão municipal vem tratando, ao longo do tempo, a educação municipal é notória e por isso mesmo, impugnante e inaceitável.
É preciso, então, lembrar a esta gestão que: a valorização dos profissionais da educação escolar, mediante a garantia de piso salarial profissional e planos de carreira, é princípio de matriz constitucional (incisos V e VIII do art. 206 da Constituição Federal). Parece ainda que também precisamos lembrar a esta gestão que  o art. 67 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), prevê que “os sistemas de ensino promoverão a valorização dos profissionais da educação, assegurando-lhes (…) V – período reservado a estudos, planejamento e avaliação, incluído na carga de trabalho”, e ainda que nos termos do art. 2º da Lei nº 9.131, de 24 de novembro de 1995, foi homologado o Parecer nº 18/2012, da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação, reexaminando o Parecer CNE/CEB nº 09/2012, que dispôs sobre os parâmetros a serem seguidos na implementação da jornada de trabalho dos profissionais do magistério público da educação básica, de que trata a Lei no 11.738, de 2008. Vale também recordar, se a gestão nesse município não conhece muito bem esta lei, que a representação dos professores deve ser oriunda de sindicato ou associação profissional, caso o município os tenham. Sendo assim, a representação do sindicato dos professores de Feira de Santana, mediante o pronunciamento da sua presidente, está em total acordo com esta lei.  Portanto, senhores e senhoras gestoras de Feira de Santana, as professoras e professores disporem de 1/3 (um terço) do tempo da carga horária para a execução de atividades extraclasse, tais como estudo, planejamento e avaliação é LEI.
Entendemos que o estudo feito e o amplo debate realizados no âmbito do Conselho Nacional de Educação (CNE) sobre a concretização dos avanços trazidos pela Lei n o 11.738, de 2008, justamente por conta de toda a luta dos sindicatos, das organizações educacionais e principalmente das professoras e dos professores em todo o território nacional, não deva ser desmerecida e desrespeitada como presenciamos nesse município. E assim, me solidarizo com as professoras e professores da Rede Municipal de Feira de Santana, no sentido de impulsionar e lutar pela implementação das medidas que contribuirão efetivamente para a qualidade de vida dos professores e professoras, para o investimento real na formação destes e consequentemente para a melhoria da educação desse município.  E o próprio art. 67 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), como já citado, prevê que “os sistemas de ensino promoverão a valorização dos profissionais da educação, assegurando-lhes (…) V – período reservado a estudos, planejamento e avaliação, incluído na carga de trabalho”. E o que tem feito o município de Feira de Santana diante dessa lei? O documento também prevê que essa questão deve ser contemplada nas leis orçamentárias dos Estados e Municípios. Será que na Lei Orçamentária desse município esse princípio tem sido respeitado?
Os entes municipais não podem simplesmente descumprir uma lei federal que contribui ao processo de valorização das professoras e professores e da qualidade do ensino público municipal. As responsabilidades devem ser assumidas ipsis litteris.
Diante dessa situação, cabe a todas nós, mulheres, que somos maioria dos professores nas escolas municipais, e maioria também nesse município, e a todo cidadão e cidadã exigir a aplicação desta lei, principalmente por saber que esta gestão já tem descumprido tantas outras leis, como a do PDDU, e assim tem metralhado os direitos educacionais, e tantos outros direitos, das cidadãs e dos cidadãos feirenses.
Vamos dizer BASTA a essa forma de gestão autoritária, arbitrária e anti-educativa, que sem diálogo algum tem conduzido os processos que são de interesse e de direito da população dessa cidade.
BASTA das metralhadas deste governo a educação do município de Feira de Santana!

Sidinea Pedreira

Professora, mestre em Estudos Feministas pela Universidade de Coimbra, faz parte do Grupo de Estudos Literários Contemporâneos (GELC), da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), milita no Coletivo de Mulheres de Feira de Santana e faz parte do Setorial de Mulheres do PSOL Feira.