quinta-feira, 15 de março de 2018

MARIELLE, GUERREIRA PRETA DA MARÉ, PRESENTE!!


MARIELLE, GUERREIRA PRETA DA MARÉ!!



Quando li ontem à noite a notícia do assassinato de Marielle Franco, mulher preta, guerreira preta da Maré, vereadora pelo Psol - Rio de Janeiro, fui ao choro. Por algum tempo não conseguia parar. Perguntei a mim mesma: Por que? Por que um corpo negro incomoda? Por que uma mulher negra ocupando um espaço de poder incomoda tanto? Sem dúvida é: Porque nossos corpos representam RESISTÊNCIA. Nossa presença lembra milhares de mulheres negras vilipendiadas, usurpadas em seus direitos, violadas, estupradas, torturadas e mortas ao longo da história desse país. A luta das mulheres pretas brasileiras IMPORTA! É a luta pela DEMOCRACIA REAL, por JUSTIÇA, por IGUALDADE, por DIREITOS, por RESPEITO. E por isso mesmo, deve ser a luta de todas e todos!
   Marielle não aceitou que jovens pretos continuassem a ser torturados, mortos e enterrados em valas como indigentes ou bandidos, não aceitou que as mães pretas, sejam da Maré ou de qualquer lugar desse Brasil, continuassem engolindo o choro por seus filhos e familiares. Não aceitou que mulheres pretas crescessem e se educassem na cultura do medo dentro de comunidades pobres, aterrorizadas quer sejam por bandidos ou policiais. Marielle não aceitou que as vozes das mulheres pretas fossem silenciadas. E teve sua vida aqui interrompida. Ontem à noite, na Casa das Mulheres Pretas, simbolicamente, ela ecoou sua aguerrida voz e disse: MULHERES PRETAS MOVEM ESTRUTURAS!! Sim. Vamos mover toda e qualquer estrutura necessária para que justiça seja feita por Marielle, por nós próprias, por nossas filhas. Nós, mulheres pretas que aqui continuamos, não vamos aceitar o tombamento de nossas irmãs pretas, nem tão pouco o silenciamento de suas vozes e o apagamento de suas histórias e memórias.
MARIELLE VIVE!!
“Gritaram-me NEGRA, NEGRA, NEGRA”. E eu disse: SIM. NEGRA SIM!! QUE FOI TRAZIDA À FORÇA DA MÃE ÁFRICA. QUE FOI MASSACRADA, ROUBADA, FORJADA. QUE AMAMENTOU OS FILHOS DESSA NAÇÃO COM LEITE E SANGUE. QUE CONSTRUIU E AINDA CONTRÓI ESSE PAÍS. NEGRA QUE É RESISTÊNCIA. MULHERES NEGRAS QUE MOVEM ESTRUTURAS!!
“Gritaram-me NEGRA NEGRA NEGRA”. Sim, NEGRA! NEGRA MARIELLE, GUERREIRA PRETA DA MARÉ, E NÓS, GRITAMOS: JUSTIÇA!! PAREM DE NOS MATAR!

Sidinea Pedreira, Coletivo de mulheres de Feira de Santana-Ba, PSOL-Ba-Petrô

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Aprendendo a conjugar um novo verbo em Feira de Santana: BRTar



Nas minhas caminhadas, hoje pela manha, vi outro absurdo, no cruzamento da Avenida Sampaio com a Comandante Almiro: água limpa sendo desperdiçada. Esse fato já faz parte do cotidiano de alumas das principais avenidas daqui. Numa cidade como a nossa, que não consegue dar conta da demanda de água à população, muito menos a dos distritos, essa é uma grande contradição: jogar água limpa aos bueiros. 
Feira de Santana tem sido BRTada por esse governo municipal. Nas últimas cinco gestões, a cidade é o retrato de uma "república velha", dominada pelos "coronéis", "bacharéis", oligárquicos que definem sua feição, moldam seu corpo, ao mesmo tempo que o deteriora. Não existe um legislativo que represente as classes trabalhadoras dessa cidade, nem tão pouco que fiscalize e denuncie as ações arbitrárias desse governo. Não é à toa que estamos presenciando, ao longo dos anos, diversos desmandos, como: a eterna falta de um Plano Diretor, a lenta e mal-feita reforma do Mercado de Arte Popular, a imposição do projeto de BRT, o maquiavélico projeto do Shopping Popular, o massacre aos artesãos do Centro de Abastecimento e aos camelôs, dentre outros. O governo atual, dito democrático, aliás, como é de hábito, continua governando essa cidade autoritariamente, sem considerar os interesses da maioria da população.
O povo marginalizado só será percebido quando confrontar, de fato, ao autoritarismo e desmandos desse governo. 
Até quando seremos BRTados nessa cidade?
Vamos organizar nossa indignaçao e BRTarmos o governo municipal. Esse sim, merece!

quarta-feira, 7 de junho de 2017

OS LEPETRECOS

Vale a pena conferir OS LEPETRECOS! 
 Abordando temáticas que envolvem o universo infantil, tais como: preconceito racial, racismo, individualidades e diferenças, Os Lepetrecos promete ser um projeto inovador. O idealizador é o ator Jean Marques. Vale a pena conferir e apoiar!
https://www.catarse.me/oslepetrecos?ref=facebook&utm_source=facebook.com&utm_medium=social&utm_campaign=project_share_insights


terça-feira, 6 de junho de 2017

PRIMEIRAMENTE, FORA TEMER! DEPOIS, DIRETAS JÁ! E AGORA, P A L H A Ç A R I A!!!


Em tempos de crises política e social, onde a desesperança insiste em bater na nossa porta, entendemos, mais do que nunca, que precisamos "encontrar o palhaço que existe dentro de nós". Reinventar-se é mais do que preciso! É um imperativo. Reinventar o espaço que vivemos, as relações, as amizades; a vida. Tudo isso passa pelo prazer, pela criatividade, pela arte da gargalhada. Foi pensando em possibilidades de reinventar o nosso lugar, as nossas relações e de fazer melhor a nossa arte que o Espaço Gaia teve o prazer de convidar e recepcionar, durante um mês, o querido Márcio Negócio - artista brasiliense, palhaço, poeta, ator, músico, artista plástico, que, atualmente, circula com o espetáculo/palhaçaria, ZAP! Fomos presenteados com o Palhaço Zezo, que armou o circo para todo mundo vê no Quilombo Rio dos Macacos, esteve no CSU com as crianças do semi-árido baiano, nas comemorações dos 50 anos do MOC, e juntamente conosco, promoveu a primeira Oficina de Palhaçaria: Um TOMBO no Palhaço. E, nos fez mergulhar na arte da palhaçaria e no universo circense, com Jogos teatrais, gag’s, improvisaçoes, técnicas e brincadeiras. Foi uma oportunidade ímpar. 
Com certeza, foi o começo de uma parceria que seguirá durante muito tempo por nossa amada Bahia. É assim que o Espaço Gaia segue lançando suas mais altas sementes de esperança, e dizendo: 
FORA TEMER!
DIRETAS JÁ!
O AMOR É, SOBRETUDO,GARGALHADA!



quinta-feira, 26 de maio de 2016

TOLERÂNCIA ZERO: ATÉ QUE TODAS NÓS SEJAMOS LIVRES DA CULTURA DO ESTUPRO!


Acordamos hoje, 26 de maio de 2016, com a terrível notícia de que uma jovem de 17 anos foi estuprada por 30 homens no Rio de Janeiro. A bandeira que todas nós, mulheres brasileiras, especialmente nós dos movimentos feministas, levantamos hoje, é a do LUTO. Como nos calar diante de tamanha violação de direitos? Como silenciar nossas vozes diante dessa violência escancarada, dessa cultura do estupro legitimada até mesmo por aqueles que deveriam garantir nossa segurança? À nossa frente está uma sociedade violenta, misógina, escrota, sacana, apodrecida pela impunidade e pelo descaso para com os direitos sociais das mulheres. Os nossos gritos devem ecoar nas ruas! As nossas bandeiras devem ser hasteadas e nelas as vozes de protesto.
Segundo o Mapa da Violência, de novembro de 2015, o Brasil é o 5º país no mundo no ranking da violência contra mulheres. Todos os dias, nesse país, mulheres sofrem violências das mais diversas formas e nos mais diferentes contextos e lugares.
A cada 11 minutos uma mulher é estuprada no Brasil. Nos últimos 10 anos houve um aumento de 54% no número de homicídios de mulheres, especificamente de mulheres negras. A maioria dessas mulheres era negra e tinham entre 18 e 30 anos.
A cultura da violência contra mulheres é solidificada principalmente pela impunidade que existe no nosso país em relação aos agressores. Pasmem! 99% dos agressores sexuais do Brasil estão soltos. Em 2014, por exemplo, Alexandre Frota contou, num programa de televisão, como havia estuprado uma mulher de religião matriz-africana. Pasmem novamente: ao contar a história do estupro, ele foi aplaudido pelo auditório em meio aos sorrisos dos ouvintes. Até mesmo no Congresso Nacional, podemos visualizar casos de impunidade aos agressores de mulheres. Nesse mesmo ano, o deputado Jair Bolsonaro agressivamente se dirigiu a deputada Maria do Rosário dizendo que não a estuprava porque ela não merecia. E sabem o que aconteceu? Pasmem vocês: ele foi condenado somente a pagar uma indenização de R$ 10 mil reais.  E ainda continua com o mandato, ocupando uma cadeira no nosso legislativo, e sendo pago pelo dinheiro dos nossos impostos. Indenizações e pedidos de desculpas não bastam. Queremos JUSTIÇA! Queremos os criminosos presos!
Estamos diante de uma sociedade que legitima a violência em todas as instâncias, que faz apologia à cultura do estupro e da revitimização (ao expor socialmente as vítimas de violências), e que corrobora para a violação de direitos. Estamos diante de uma sociedade que expõe, culpabiliza e que julga moralmente as mulheres com base em conceitos sexistas, racistas e misóginos.  Convivemos diariamente com a violência não só nas ruas, mas em diversos espaços do nosso país, seja através das “cantadas” machistas, agressivas e misóginas nas ruas, seja nas atitudes machistas de muitos homens, colegas de trabalho, e até mesmo colegas de militância, muitos desses, se dizem defensores dos direitos das mulheres. Na verdade, a sociedade brasileira machista não consegue conviver com a emancipação das mulheres nem tão pouco consegue conviver com a ideia de mulheres ocupando espaços de poder. Uma das estratégias para nos afastar desses espaços é tentativa de deslegitimar, mostrar nossa “incapacidade”, nossa inabilidade, nos culpabilizar até por ser estuprada.
O machismo e a violência estão espalhados por todo o país, até mesmo em lugares que não esperaríamos. Há um movimento de silenciamento das mulheres nesse país. É preciso estar a todo tempo em sentinela, pois a qualquer momento “ os ladrões podem querer roubar” nossos direitos, nossas vozes, mesmo aqueles direitos que conquistamos mediante uma luta histórica, mesmo aqueles direitos garantidos e conquistados através de longos processos democráticos.   
É preciso lutar pela manutenção desses direitos, e ao mesmo tempo, é preciso lutar pelo rigor das punições de nossos agressores. Afinal, onde está o aparelho policial e jurídico desse país? Onde está a mídia que não notícia e nem mobiliza a população contra crimes hediondos como o estupro? O que falta afinal para que justiça seja feita às mulheres que são violadas nesse país?
Falta, na verdade, que as ações de enfrentamento à violência contra as mulheres sejam capilarizadas. É URGENTE: lutar radicalmente para que haja um erradicação da cultura da violência machista em o nosso país, lutar para que seja criada uma consciência pública da não tolerância à violência contra mulheres! Além disso, urgente também se faz, pressionar as instituições oficiais de proteção às mulheres para que deem a sociedade respostas concretas, precisas e em total defesa e reparação das mulheres que sofreram violência. É preciso promover às mulheres o respeito, a proteção e a garantia dos direitos humanos, o que inclui o direito à segurança, à liberdade e ao próprio corpo. Não só o movimento de mulheres no Brasil, mas toda a sociedade brasileira tem a tarefa de lutar pelo acesso à justiça, e de fazer valer as leis que existem e que garantem direitos  e reparação das mulheres que sofrem violências.
           Nenhuma mulher deve ser desrespeitada! Nenhuma mulher deve ser afetada em sua dignidade. Nenhuma mulher deve ser revitimada, sendo exposta socialmente ou culpabilizada ou mesmo vítima de julgamentos morais. Abaixo a cultura do estupro! Abaixo a misoginia! Abaixo a violência! SIGAMOS NA LUTA, COMPANHEIRAS, ATÉ QUE TODAS NÓS SEJAMOS, DE FATO, LIVRES! 

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

TRÁ, TRÁ, TRÁ: AS METRALHADAS DO GOVERNO MUNICIPAL NA EDUCAÇÃO DE FEIRA DE SANTANA.




Enquanto, nós, professoras, e professores estamos na luta contra os desmantelos que atingiram direta ou indiretamente, ao longo de mais de dez anos, a educação municipal do município, ainda tivemos que presenciar, nas últimas duas semanas deste mês de fevereiro de 2016, o total desrespeito aos professores e consequentemente, à educação do município de Feira de Santana. Primeiro, na condução da Jornada Pedagógica, principalmente no que diz respeito a falta de sororidade às professoras que participavam de um protesto legítimo, e especialmente a sindicalista Marlede Oliveira – a qual nós nos mostramos solidárias. Depois, no processo dessa semana, na sessão de Abertura dos trabalhos da Câmara de Vereadores, durante a manifestação das professoras e professores municipais, ainda presenciamos o descaso com a luta das professoras e dos professores. O descaso com que a gestão municipal vem tratando, ao longo do tempo, a educação municipal é notória e por isso mesmo, impugnante e inaceitável.
É preciso, então, lembrar a esta gestão que: a valorização dos profissionais da educação escolar, mediante a garantia de piso salarial profissional e planos de carreira, é princípio de matriz constitucional (incisos V e VIII do art. 206 da Constituição Federal). Parece ainda que também precisamos lembrar a esta gestão que  o art. 67 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), prevê que “os sistemas de ensino promoverão a valorização dos profissionais da educação, assegurando-lhes (…) V – período reservado a estudos, planejamento e avaliação, incluído na carga de trabalho”, e ainda que nos termos do art. 2º da Lei nº 9.131, de 24 de novembro de 1995, foi homologado o Parecer nº 18/2012, da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação, reexaminando o Parecer CNE/CEB nº 09/2012, que dispôs sobre os parâmetros a serem seguidos na implementação da jornada de trabalho dos profissionais do magistério público da educação básica, de que trata a Lei no 11.738, de 2008. Vale também recordar, se a gestão nesse município não conhece muito bem esta lei, que a representação dos professores deve ser oriunda de sindicato ou associação profissional, caso o município os tenham. Sendo assim, a representação do sindicato dos professores de Feira de Santana, mediante o pronunciamento da sua presidente, está em total acordo com esta lei.  Portanto, senhores e senhoras gestoras de Feira de Santana, as professoras e professores disporem de 1/3 (um terço) do tempo da carga horária para a execução de atividades extraclasse, tais como estudo, planejamento e avaliação é LEI.
Entendemos que o estudo feito e o amplo debate realizados no âmbito do Conselho Nacional de Educação (CNE) sobre a concretização dos avanços trazidos pela Lei n o 11.738, de 2008, justamente por conta de toda a luta dos sindicatos, das organizações educacionais e principalmente das professoras e dos professores em todo o território nacional, não deva ser desmerecida e desrespeitada como presenciamos nesse município. E assim, me solidarizo com as professoras e professores da Rede Municipal de Feira de Santana, no sentido de impulsionar e lutar pela implementação das medidas que contribuirão efetivamente para a qualidade de vida dos professores e professoras, para o investimento real na formação destes e consequentemente para a melhoria da educação desse município.  E o próprio art. 67 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), como já citado, prevê que “os sistemas de ensino promoverão a valorização dos profissionais da educação, assegurando-lhes (…) V – período reservado a estudos, planejamento e avaliação, incluído na carga de trabalho”. E o que tem feito o município de Feira de Santana diante dessa lei? O documento também prevê que essa questão deve ser contemplada nas leis orçamentárias dos Estados e Municípios. Será que na Lei Orçamentária desse município esse princípio tem sido respeitado?
Os entes municipais não podem simplesmente descumprir uma lei federal que contribui ao processo de valorização das professoras e professores e da qualidade do ensino público municipal. As responsabilidades devem ser assumidas ipsis litteris.
Diante dessa situação, cabe a todas nós, mulheres, que somos maioria dos professores nas escolas municipais, e maioria também nesse município, e a todo cidadão e cidadã exigir a aplicação desta lei, principalmente por saber que esta gestão já tem descumprido tantas outras leis, como a do PDDU, e assim tem metralhado os direitos educacionais, e tantos outros direitos, das cidadãs e dos cidadãos feirenses.
Vamos dizer BASTA a essa forma de gestão autoritária, arbitrária e anti-educativa, que sem diálogo algum tem conduzido os processos que são de interesse e de direito da população dessa cidade.
BASTA das metralhadas deste governo a educação do município de Feira de Santana!

Sidinea Pedreira

Professora, mestre em Estudos Feministas pela Universidade de Coimbra, faz parte do Grupo de Estudos Literários Contemporâneos (GELC), da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), milita no Coletivo de Mulheres de Feira de Santana e faz parte do Setorial de Mulheres do PSOL Feira.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

POR QUE NÃO? DESMISTIFICANDO AS CANDIDATURAS DE MULHERES ÀS ELEIÇÕES MAJORITÁRIAS EM FEIRA DE SANTANA

                                                           (Imagem do Blog da Feira)

Há uma semana, saiu uma matéria do jornalista Jânio Rêgo, no Blog da Feira, sobre a minha possível candidatura à prefeitura de Feira de Santana, na Bahia. No mesmo dia, recebi algumas mensagens da imprensa querendo que eu respondesse à seguinte questão: “Afinal, Sidinea Pedreira, você é ou não é a candidata do PSOL a prefeitura de Feira de Santana?” Ainda, no mesmo dia, algumas pessoas se manifestaram através de áudios, questionando a minha possível candidatura, outros, manifestaram apoio, visto conhecer o nosso trabalho na cidade, outros ainda, amigos e militantes/parceiros na luta, escreveram mensagens de apoio e de encorajamento. Realmente, a notícia de que uma MULHER negra, oriunda de família pobre, nascida em um bairro periférico da cidade, poderia ser a possível candidata a majoritária da segunda maior cidade do Estado, causou uma espécie de frenesi.

Por alguns instantes, eu pensei: por que algumas pessoas questionam a possibilidade de ter uma mulher negra ocupando o cargo no executivo desta cidade? Por que a notícia de uma candidatura de mulher negra à prefeitura de uma cidade como Feira de Santana chamaria a atenção de alguns segmentos e de algumas pessoas? Por outro lado, ainda me questionei: se nós, mulheres, somos mais do que 51% da população, por que não haveríamos de querer um governo pensado estrategicamente por uma mulher? Afinal, os governos que tivemos nos últimos anos, ou melhor dizendo por décadas, ou ainda melhor dizendo, sempre, não têm representado a nós mulheres. E por que haveríamos de querer que homens que aplicam o velho autoritarismo político, continuem a governar a nossa cidade? (lembrando que não estou a fazer apologia à velha política de guerra entre os sexos) Por que haveríamos de desejar que as mulheres continuem a não ter direito de ir e vir nesta cidade, de escolherem e de terem, de fato, sua própria representação?

É bom lembrarmos que nesta cidade, em pleno século XXI, convivemos ainda com problemas do século XIX, como ausência de saneamento básico, e presença de lixões, que infelizmente, ainda pintam alguns dos mais tristes retratos na cidade, por exemplo.

Ao ser chamada para a primeira entrevista numa rádio aqui na minha cidade, pensei: O meu partido ainda não votou os nomes dos candidatos, então, por que haveria de falar numa entrevista? Mas, rapidamente, pensei também, que historicamente, não só no Brasil, mas no mundo todo, as mulheres foram ensinadas a sempre serem representadas por alguém. Pais, irmãos, maridos, tutores falaram sempre por nós. Mas a luta feminista mudou essa situação. NÃO PRECISAMOS MAIS QUE NINGUEM FALE POR NÓS! E por isso, decidi, eu mesma, falar em meu nome que as mulheres são capazes de governar sim. E sabem por que?

As mulheres são capazes de assumir o executivo, exercer muito bem esse papel, e governar para todos, para aqueles, que como elas, sentem na pele o que é viver numa cidade de exclusão onde não tem políticas públicas voltadas para elas, onde não se tem creches públicas, onde a política de educação ainda é insuficiente, onde há ausência de lazer, na maior parte dos bairros periféricos, onde se tem medo do sistema de saúde, enfim.

Eu pensei: as mulheres sim, sabem o que é viver nessa cidade! As mulheres sabem o que é trabalhar na cozinha de outras famílias e fazer malabarismos para manter firme uma família. A maioria das mulheres da periferia da minha cidade sabe o que é utilizar o vergonhoso transporte público daqui e ainda ter que levar seus filhos dentro deles, muitas vezes, se espremendo para não cair e para equilibrá-los. As mulheres sabem o que é sustentar uma família a partir do trabalho no mercado informal. As mulheres sim, sabem o que é a vida de camelô nessa cidade, pois elas estão espalhadas em toda e qualquer rua principal daqui mantendo vivo o comércio seja nas lojas, seja nas feiras livres, mesmo sabendo que o governo atual, em todas as suas gestões anteriores, quis invisibilizar e acabar com este. As mulheres sabem o que é levar suas crianças e seus idosos, muitas vezes doentes, para os hospitais dessa cidade, e sabem exatamente como se encontram esses lugares. Nós, mulheres, temos uma visão muito clara do que é viver nessa cidade e do que é cuidar de outras pessoas aqui. Nós sabemos o que é andar nas ruas de uma das cidades mais violentas do Brasil, e sabemos também o que é temer andar na noite em uma cidade que a cada ano mata e agride mais e mais mulheres. E ainda, alguém nos questiona se uma mulher poderia governar essa cidade?

Toda mulher que vive na periferia de uma cidade como Feira de Santana (mas não só mulheres, é claro), teria sensibilidade o suficiente para listar os problemas mais graves que assolam a população, e poderia traçar uma lista dos problemas que deveriam ser prioridades numa gestão do executivo nessa cidade. E, ainda, nos espantamos com a possibilidade de uma mulher ser candidata a executiva? Por que isso ainda acontece? É ainda uma pergunta que eu faço a mim mesma! E que já a algum tempo tento responder.

O que eu me espanto não é com a possibilidade de uma candidatura a majoritária de uma mulher. Eu me espanto é com essas lideranças autoritárias e machistas ocupando cargos de poder arbitrariamente e impondo projetos como o BRT “goela a baixo” da população. Espanto-me com a arbitrariedade de um executivo que arranca árvores do coração da cidade, mas que diz respeitar uma política de preservação ao meio ambiente. Espanto-me com uma cidade em que o seu executivo descumpre leis federais, como a lei que estabelece a obrigatoriedade de um Plano de Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) antes que qualquer projeto de impacto seja implantado nela.

 Num país onde o sufrágio feminino aconteceu há quase 84 anos, é realmente triste ver a sub-representação de mulheres nos espaços políticos. É triste saber, por exemplo, que dos 31 Ministérios Federais, temos apenas 3 que são chefiados por mulheres. Triste e ínfima representação! Triste é mesmo saber que em Feira de Santana, ao longo de sua história na Câmara Legislativa somente pouco mais do que 5 mulheres já passaram por esta Câmara, e que nenhuma destas mulheres jamais ocupou um cargo de presidência nela. Triste também saber que jamais qualquer mulher nessa cidade foi candidata ao cargo de Prefeita.

Triste Câmara de Vereadores, triste cadeira do Executivo de Feira de Santana. Nunca jamais governada e liderada por uma mulher, que dirá por uma mulher negra e feminista. Talvez, seja essa uma das justificativas para tantos e subsequentes fracassos? Quem vai responder?

Fui chamada à uma segunda entrevista, também, durante essa semana, por outra rádio da cidade. E a mesma pergunta me foi feita, dentre outras: “Afinal, Sidinea Pedreira, você é ou não é a candidata a prefeita de Feira de Santana pelo PSOL? E, desta vez, comecei a minha resposta com uma indagação: POR QUE NÃO?

Alguém poderia me responder por que uma mulher, particularmente, uma mulher negra e nascida na periferia de Feira de Santana, não pode ser candidata a prefeita dessa cidade?


Sidinea Pedreira, é mestre em Estudos Feministas pela Universidade de Coimbra, Portugal, integra o Grupo de Estudos Literários Contemporâneos (GELC) da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), integra o Coletivo de Mulheres de Feira de Santana e milita no Setorial de Mulheres do PSOL Feira.

domingo, 12 de julho de 2015

PLANO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE FEIRA DE SANTANA PARA QUEM?


O Plano Municipal de Educação (PME) é de todos que moram no município. E, partindo dessa premissa, consideramos que todos os cidadãos têm direito de fazer parte do processo de construção do PME, no qual devem estar presentes todas as necessidades educacionais desses cidadãos. Não se trata, portanto, do plano de educação de uma administração ou de um mandato, tão pouco de ofertas educacionais direta de uma prefeitura. O Plano Municipal de Educação é um planejamento amplo, que tem como objetivo garantir a gestão democrática do ensino público, assegurando a autonomia e a participação de diferentes segmentos da sociedade, e estabelecendo coerência entre os Planos de Educação Estadual e Nacional e o Projeto de Desenvolvimento Local.

Os planos construídos em gabinetes de técnicos da educação ou de prefeituras tendem ao fracasso porque foram gestados na ausência de seus principais agentes, os cidadãos. Fracassarão também aqueles que desconsiderarem a trajetória histórica, as características socioculturais e ambientais, a “vocação” e as perspectivas de futuro de seus municípios. O que dizer de um plano de educação que desconsidera instrumentos de planejamento de uma cidade como o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU), a Lei de diretrizes Orçamentárias (LDO) e o Estatuto das Cidades? Como classificá-los? Um plano de educação que desconsidere as premissas da gestão democrática não pode ser considerado legítimo. Isso é fato.

No processo de construção do PME é importante garantir não só a qualidade técnica, mas a participação social. O Conselho Municipal de Educação (CME) deve estar presente também e exercer um papel importante como fomentador desse processo. Os órgãos municipais devem garantir a participação da sociedade civil através de audiências públicas, de divulgação ampla do calendário de reuniões, de atividades, de ações e de resoluções não só do CME, mas também de todas as instâncias envolvidas na discussão, elaboração e/ou revisão do PME.

Um plano de educação submetido ao amplo debate público trará em si a diversidade das diferentes vozes, e experiências que a sociedade vivencia sobre a realidade local que se deseja transformar. Será que o caminho trilhado por Feira de Santana até as Conferências Municipais de Educação 2015 permitiu adotar mecanismos, processos e ações para estruturar uma metodologia e uma agenda que favorecessem os processos de participação e decisões coletivas? Não mesmo!

Quando e onde aconteceram as audiências públicas? Onde foram divulgadas? De que maneira a sociedade civil participou desse processo? Em que espaço de ampla divulgação as prestações de contas do FUNDEB foram feitas? Onde está o Documento Base para a revisão do PME, que é a referência para a consulta pública? Como foi escolhida a comissão coordenadora desse processo? Quem compõe e qual a representatividade dessa comissão? Onde estão divulgados os dados atuais sobre a educação do município, e quem tem acesso a esses dados que fundamentarão o atual PME? Quem pode responder essas perguntas?

Pensar a educação é pensar a diversidade. Em um município com mais de seiscentos mil habitantes, como Feira de Santana, descartar a possibilidade de participação popular no processo de construção do PME é desconsiderar a riqueza dessa diversidade. Quando excluímos as pessoas dos processos construtivos de seu próprio lugar, legitimamos as discriminações, as desigualdades e os preconceitos. E, com certeza, não é o que deseja o povo feirense, que tem como características constitutivas a diversidade e a liberdade. Esta sociedade que cresceu nas ruas, e a partir da liberdade e da diversidade de suas feiras livres exige ser respeitada por meio de um Plano Municipal de Educação que promova a igualdade participativa, racial, regional, de gênero e de orientação sexual. Afinal, esse Plano Municipal de Educação de Feira de Santana é para quem?
 
Sidinea Pedreira é feirense, professora, militante do Setorial de Mulheres do Psol- Feira, mestre em Estudos Feministas, pela Universidade de Coimbra- Portugal.
 
P.S: CAMARADAS, COM ESSE TEXTO, INFORMO ÀS AMIGAS E AOS AMIGOS QUE RETORNO AS POSTAGENS NO MEU BLOG SEMEAR GAIA! CONTO COM O APOIO NA DIVULGAÇÃO DESSE VEÍCULO DE COMUNICAÇÃO ENTRE OS AMIGOS DE VOCÊS! OBRIGADA!

terça-feira, 4 de março de 2014

MARÇO MULHER: ACORDA BRASIL!




ACORDA BRASIL! Neste mês de março, onde se fala mundialmente sobre direitos das mulheres, quero aproveitar o espaço do facebook para destacar a situação das mulheres no Brasil. Este é apenas, um de vários protestos que pretendo fazer aqui. É notória a baixa representação política das mulheres brasileiras, fato este, que está na contramão do protagonismo feminino: as mulheres brasileiras possuem nível de escolaridade maior do que o dos homens, com mais de 11 anos de estudo, as mulheres são maioria da população economicamente ativa e representam, pelo menos, 44% da força de trabalho no país. Contraditoriamente, o avanço da participação política feminina nas últimas décadas vem crescendo apenas 1% no número total de eleitas. O Brasil ocupa o 121º lugar no ranking mundial de igualdade entre mulheres e homens. É uma vergonha num país dito democrático, onde as mulheres são a maioria da população, e onde se faz propaganda de uma mulher ocupar o lugar maior no cenário político nacional. Longe disso, a realidade nacional é bem triste: de 513 deputados federais, por exemplo, apenas 44 são mulheres; de 81 senadores, apenas 13 são mulheres; somente 10% dos prefeitos são mulheres, e apenas 12% dos vereadores neste país são mulheres. E ainda falamos em equidade neste país!? Vamos dar um basta as falácias, e as maquiagens que boa parte dos partidos políticos, sindicatos, associações, e instituições diversas tentam fazer com as mulheres. Não vamos aceitar simplesmente disputar eleições para cumprir os números das cotas exigidas pela lei. Disputemos para ganhar, para mudar esse cenário político nacional, onde a maioria de homens que ocupam o Congresso Nacional deste país trabalha a fim de perpetuar leis que mantem as mulheres nos indicadores mais baixos de desenvolvimento, expressos diariamente nas condições de moradia, saúde, acesso a transporte e oportunidades de ascensão no trabalho e direito à cidade. 
Neste mês que se fala tanto sobre as mulheres, levantemos a bandeira de Rosa Luxemburgo: " Por um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres". 

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

UM DESABAFO! CUIDADO QUANDO ENTREGAR DINHEIRO E CARTÃO SMART CARD PARA RECARREGAR NOS TERMINAIS DO SINCOL DE FEIRA DE SANTANA. SEU CARTÃO E SEU DINHEIRO PODEM DESAPARECER, COMO O MEU!

Amigos e Amigas,

Estou postando aqui essa mensagem que postei no face há pouco, contando uma situação que aconteceu comigo hoje. Peço, por favor, que me ajudem a divulgar para o máximo de pessoas possível. Gostaria de contar com o apoio de todos, pois entrarei com um processo pelo descaso com que fui tratada, e pelo encaminhamento que foi dado ao meu problema. Chega de sermos tratados com indiferença e descaso. Chega de termos os nossos direitos negados nessa cidade. Temos que dizer um basta a toda forma de descaso e indiferença ao cidadão. Precisamos discutir o transporte público em Feira de Santana, a forma como as passagens são comercializadas, como o recadastramento e as recargas são feitas aqui. Essa discussão vai desde ao atendimento (locais, forma, etc) até as instâncias maiores como qualidade dos ônibus, horários, roteiros, acesso as planilhas do SINCOL, a forma de cálculo das passagens, enfim. VAMOS DIZER NÃO AO SINCOL.
QUERO COMEÇAR UMA CAMPANHA PELO FACE DIZENDO NÃO AO SINCOL E AO TRANSPORTE COLETIVO (ÔNIBUS) DESSA CIDADE.

UM DESABAFO! CUIDADO QUANDO ENTREGAR DINHEIRO E CARTÃO SMART CARD PARA RECARREGAR NOS TERMINAIS DE FEIRA DE SANTANA. SEU CARTÃO E SEU DINHEIRO PODEM DESAPARECER, COMO O MEU!

Boa noite a todos e todas do face! Estou aqui para desabafar. Contar uma situação que aconteceu comigo hoje no TERMINAL NORTE, aqui de Feira de Santana. Eu me dirigi ao terminal, na van UEFS/Terminal norte, parei na frente do terminal, e com o meu SMART CARD paguei minha passagem e passei a catraca. Logo em seguida me dirigi ao lugar onde recarregamos o passe. Aí, fui atendida por uma jovem que pegou o meu cartão e meus R$ 20,00, e eu a pedi que recarregasse o meu cartão com 8 passagens. Atras de mim, haviam 2 jovens, que também esperavam para serem atendidas. Olhei pelo pequeno espaço aberto do vidro fumê, e vi que a jovem estava atendendo àqueles que se encontravam dentro do terminal, mas também àqueles que estavam fora do terminal (ou seja, em 2 lugares). Ela se movimentava pra um lado e para o outro, passava troco pra outras pessoas, enquanto eu só esperava. A jovem também conversava com outra pessoa lá dentro, em um momento leu o jornal, enquanto eu só esperava. Após 15 minutos de espera, eu resolvi chamá-la e pedir de volta meu dinheiro e cartão. E sabem qual foi a resposta? Simplesmente, essa jovem me disse: vc não me entregou nada! Eu fiquei indignada. As jovens que estavam atras de mim viram que eu já estava ali esperando, e que me viu entregá-la e pedir a recarga. Simplesmente fui ignorada pela atendente que me disse estar nervosa. Mas, claro que eu estava nervosa. Eu entrara no terminal, dei meu cartão e meu dinheiro para uma funcionária da SINCOL, confiei na empresa, apesar de que a funcionária estava protegida de mim, e de todo e qualquer cliente através de um vidro fumê que me impedia de ver a pessoa a quem eu estava entregando o meu documento e o meu dinheiro, e também me impedia de ver o que estava sendo feito lá dentro. Além disso, a funcionária estava protegida pela grade na porta e no vidro. A funcionária e ninguém do SINCOL saiu para falar comigo. Nem sequer nenhum responsável apareceu. Eu quis registrar uma ocorrência lá, mas nem sequer eles tiveram papel adequado para fazer, nem souberam me informar quem poderia fazer isso. Aguardei no terminal norte por mais de 2 horas. Fui atendida por uma fiscal da prefeitura que registrou uma ocorrência depois do meu muito falar. Pedi ajuda da polícia militar ali próxima, que prontamente atraves de 3 policiais foram até o local para ouvir as 2 partes e conduzir-nos a delegacia para fazer um registro. Mas, a funcionária já havia saído do local, e não foi possível conduzir somente uma das partes (nesse caso eu). O meu desabafo é na verdade, talvez, o desabafo de tantas pessoas nessa cidade que vive a mercê do descaso do transporte público dessa cidade, da negligência dos atendimentos do SINCOL, do desrespeito ao cidadão que é tratado como bobo e com total descaso. Essa situação ainda não chegou ao fim. Irei prestar uma queixa na delegacia. E quero saber quem resolverá essa situação. E fica um alerta para todos e todas: CUIDADO QUANDO VOCÊ ENTREGAR SEU DINHEIRO E SEU SMART CARD PARA RECARREGAR, POIS PODERÁ SER LESADA COMO EU FUI. E ainda, querem que fiquemos calados diante dessa situação!? Eu não ficarei calada não, EU DIGO BASTA! 

Abraço a todos vocês,

Sidinea Pedreira.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Uma mulher inteligente falando de machismo nas entrelinhas...


Ontém fui instigada pelo meu amigo lingüista Victor Veríssimo com o seguinte questionamento: “Somente eu (e pessoas como Duda Vila Nova) enxergam um machismo nas entrelinhas desse texto, ou estamos vendo chifre em cabeça de cavalo? 
(Ahhh! Esses lingüistas e suas manias de ler nas entrelinhas!!). Concorda, Sidinea Pedreira?”

Victor estava se referindo ao texto “Um homem inteligente falando das mulheres”, do escritor Luis Fernando Veríssimo. Resolvi então escrever uma resposta no espaço de discussão criado por Victor, e agora fiz algumas adaptações para publicá-lo aqui no meu blog. Quem sabe, poderemos ampliar ainda mais essa discussão por aqui. Pelo menos, vamos registrá-la. Meu amigo Victor Veríssimo (que não tem a ver diretamente com Luis Fernando Veríssimo, senão a inteligência e intelectualidade, e neste caso, penso que utilizada para combater o machismo), gosto muito das discussões que você levanta no facebook. Pena que não tenho observado a tempo de participar como gostaria. Legal as suas provocações e pensamentos. Penso que a nossa postura deve ser a de sempre desconfiar de tudo! Não podemos ser ingênuos a ponto de pensar que podemos romper com a carga cultural que recebemos ao longo da nossa história e ficarmos impune. Virgínia Woolf fala disso muito bem, quando diz que precisa matar um certo "anjo" que vive dentro dela e que a ensinou a ser condescendente, e ter medo de dizer o que pensa, de criticar conceitos, pessoas, grandes escritores...enfim. De repente poderemos nos surpreender com pensamentos e comportamentos machistas, e isso pode estar muito bem posto em nossas falas, textos e opiniões, como eu penso que está no texto citado de Luis Fernando Veríssimo. Não podemos desconsiderar a trajetória desse escritor. Sabemos que ele é conhecido pelas suas sátiras, e por essa espécie de ironia que até parece crítica, mas que eu, particularmente, acho muito complicado. Nós que combatemos essa velha ideia de uma "essência" ou "natureza" da mulher, não podemos aceitar textos que fazem apologia a essa ideia. Pros diabo essa frase repetida e repetida: "mulher vive de carinho". Carinho, amor, respeito, é necessário não só para a mulher, é para todo ser humano, e até sabemos do efeito disso nos animais....Poderia comentar cada frase, mas, acho que não é necessário.... Mas, é nítido no texto muitos conceitos machistas : a ideia de uma essência ou natureza da mulher, o estereótipo da mulher que espera receber sempre algo do homem - quando não é carinho, atenção, é dinheiro. Podemos ver também a ideia da "femme fatale", que se não recebe algo do seu homem, vai traí-lo pelas costas....a herdeira de Eva....cuidado com ela! Cuide do seu exemplar, senão, sei lá o que ela pode fazer com você!E por fim, essa ideia completamente machista: "Só tem mulher quem pode". O velho estereótipo da mulher consumista, que representa gasto para o homem sempre...enfim. E por que será que o escritor não fala do homem que é gasto para a mulher (tradicionalmente no Brasil, as mulheres trabalham cotidianamente, gastando anos e anos de sua vida e inteligência dentro de uma casa, fazendo trabalhos repetitivos que subestimam sua inteligência, para manter uma casa e família arrumadinha para certos homens exibirem na sociedade). Irônico ou não, o texto corrobora com essa sociedade patriarcal e machista em que vivemos que ainda entende relacionamento como moeda de troca, essa velha ideia divulgada pela imprensa brasileira da década de 50: que as mulheres têm que ter sex appeal para fisgar um bom casamento e se sustentar para o resto da vida, e que o homem deve conseguir a mulher ideal que aceite a submissão em troca de casa, comida e dinheiro, que seja a mãe ideal para os futuros cidadãos brasileiros, e a sustentadora de sua vida social possível. Verdade é que os intelectuais, em todo o mundo, historicamente, foram e ainda são considerados como grandes influenciadores da sociedade e dos governos. Por isso, não podemos ser ingênuos quando alguém escreve algo que aparentemente ironiza o papel da mulher ou a sua importância. Espero que os nossos intelectuais brasileiros (diferentemente daqueles que aparecem na telinha da Globo) não sejam capachos para fomentar leis que instiguem o nosso Congresso (que parece não ter mais o que fazer) a retomar alguma coisa parecida com o velho "Estatuto da Mulher Casada".  É preciso mudar as imagens que temos como referênciais! Textos "novos" virão! Imagens novas virão!

sábado, 24 de agosto de 2013

RETROSPECTIVA MULHERES PSOL FEIRA 2013

DIALOGANDO!
UNIDAS NA LUTA!

JUNTAS PARA DENUNCIAR E RESISTIR!

MULHERES DO PSOL - FEIRA DE SANTANA: GUERREIRAS, LUTADORAS, RESISTENTES!

terça-feira, 26 de junho de 2012

EDUCAÇÃO: desorganizar, desconstruir, desaprender, desvelar


Queremos acreditar num amanhã livre de absolutismos, demagogias, discriminações e preconceitos. Queremos acreditar num país em que a "ordem" imposta pela corrupção, e violências mil não pode vencer a "desordem" de um povo que se movimenta e que se desorganiza e redesorganiza, se desconstrói e se reconstrói através do ato de aprendizagem de si mesmo e de sua própria história.

sábado, 7 de janeiro de 2012

ACONTECEU PSOL- FÊRA 2011






Na passeata gay 2011 levantando a bandeira da igualdade na diversidade.

Com a participação das mulheres frente às lutas e aos debates!!!


Junto aos jovens do bairro Feira VII, lutando pelo espaço da juventude na comunidade! O CAIQUE é nosso!!


PSOL Debate. Na UEFS , promovendo debates e diálogos entre a comunidade, juntamente com o deputado Jean Wyllys, Jorge Almeida, Fábio Nogueira e Gregório Bruning. Contra toda hegemonia!

domingo, 3 de julho de 2011

Bando Anunciador de Santana 2011


O Bando Anunciador da Festa de Sant’Anna tradicionalmente anunciava o início da festa religiosa em homenagem a Senhora Santana, Padroeira da cidade. Extinto nos anos 1980  pela  igreja católica, e resgatado em 2007 pelo CUCA - Centro Universitário de Cultura e Arte, de maneira irreverente e lúdica, vem manifestando a cultura popular, além de apresentar um forte viés político.

Seguindo o Bando, ao som da fanfarra com canções populares, do samba de roda, ou do grito do Afoxé, encontramos um pedaço de diversos segmentos da população feirense, desde estudantes, artistas, intelectuais, políticos, enfim.
As vozes representadas no Bando Anunciador são aquelas que gritam por justiça social, equidade, e democracia. Foram os estudantes lembrando o descaso com a educação no município, o MSTB lembrando a política de exclusão dos centros urbanos, e o descaso com as periferias da cidade, mulheres (Versão Marcha das Vadias) e homossexuais lembrando a luta pela equidade em direitos, o respeito ao corpo e a individualidade.

O Bando percorreu algumas ruas antigas da cidade, passando por lugares onde estão alguns prédios antigos e mal cuidados. Infelizmente não houve uma cobertura dos canais de TV, o que só revela a ausência da imprensa nos momentos mais belos de manifestações populares, e consequentemente dos espaços de discussão e construção coletiva. O prefeito também esteve ausente, assim como ausente está o mesmo e seu governo para diversos segmentos da população feirense.

O PSOL – Partido Socialismo e Liberdade esteve presente e levantou seu estandarte que mostrava uma charge com as figuras do Prefeito Tarcísio Pimenta e do Deputado Estadual Zé Neto, os quais representavam marionetes nas mãos de suas próprias ações, do Sincol e de uma Construtora bem conhecida na cidade, suspeita de suas ações de monopólio no setor de construção civil.

Fala o povo, os estudantes, os intelectuais, os artistas, os militantes, fala quem quiser ....e assim deve ser se queremos construir uma real democracia!! A versão do Bando Anunciador 2011 foi um pequeno retrato da força e expressão popular do povo feirense e de seu poder articulador e político. Que venha o Bando 2012!!



sexta-feira, 20 de maio de 2011

Assédio sexual é crime, o caso Strauss-Kahn


Assédio sexual é uma forma de violência contra a mulher reconhecida na carta internacional dos direitos humanos. Mas, apesar disso, as vítimas de violação são geralmente, banalizadas e excluídas, sem ter direito a nenhum tipo de apoio. Pelo contrário, muitas vezes, têm suas privacidades invadidas, e sua reputação posta em questão. Como no caso Strauss-Kahn, o debate público, desviou o quadro para mostrar a incompatibilidade entre violação sexual e poder. De um lado o poderoso chefe do FMI, e do outro a estrangeira africana, camareira de um hotel. Especulou-se sobre o seu nome até divulgarem, finalmente, a sua identidade, violando o direito da vítima de ter sua identidade sob sigilo. Fizeram comentários sobre o seu corpo e aparência sexual, buscando através disso justificar ou contrariar o acontecido. Um absurdo! Ela até foi acusada de se beneficiar do episódio.

Todos os dias, no mundo inteiro, mulheres são vítimas de assédio sexual. E infelizmente, o medo de serem mal interpretadas, discriminadas ou postas à margem, tem inibido muitas delas de se posicionarem. Na Europa, uma em cada dez mulheres tiveram algum tipo de experiencia com violência sexual. Entre 40 e 90% das mulheres na Europa, já sofreram algum tipo de assédio sexual. Aqui nos Trópicos não fica distante disso! O assédio segue as mulheres nas paradas de ônibus, nas ruas, nas feiras livres, no próprio trabalho, e até entre os colegas, amigos, entre a família. Aquela velha “cantada”, que já se tornou “normal”, “aceitável”, e que espera-se que seja vista com bons olhos. E quem quiser que vá reclamar! Falar sobre isso? Coisa de quem não tem o que fazer. È só mais uma cantadinha!

Em geral, a violação não é tratada como crime. As vítimas são estigmatizadas como se elas mesmas fossem responsáveis pelo assédio sofrido, o que acaba sendo um dos fatores que faz com que a sociedade trate os casos de violência sexual de maneira banal e leviana. Não podemos aceitar uma sociedade que banaliza os crimes contra as mulheres ao mesmo tempo que diz comemorar as suas conquistas!


quinta-feira, 28 de abril de 2011

Ocupação da Fábrica da Alimba em Feira de Santana (MSTB)



Abaixo segue a nota divulgada pelo Movimento dos Sem Teto da Bahia (MSTB), em Feira de Santana. Desde o último sábado, mais de 70 famílias ocupam o terreno abandonado pela antiga e falida fábrica de leite Alimba.
Vamos levantar a nossa voz em prol dos excluídos e daqueles que padecem em nossa cidade sem o mínimo de dignidade! Vamos nos posicionar! Fazer justiça é questão de atitude, não de palvaras! Acorda Feira! Acorda "Princesa do Sertão"!! Sai do castelo e ouve o clamor do seu povo!!


Nota Sobre Ocupação da Fábrica da Alimba em Feira de Santana


Em 23.04.2011 o Movimento dos Sem Teto da Bahia (MSTB) realizou sua primeira ocupação no município de Feira de Santana. Mais de 70 famílias ocuparam uma fábrica abandonada da Alimba, situada no bairro do Papagaio à altura do km 03 da BR 116 N, próximo à UEFS. Em defesa do direito constitucional à moradia as famílias ergueram seus barracos e hoje habitam o local que estava sem função social há mais de 12 anos, tanto no que diz respeito à utilização da área como no cumprimento das obrigações fiscais. Essas 70 famílias são apenas uma pequena parte das 650 mil que não possuem moradia em toda a Bahia (dado da Fundação João Pinheiro) e que com certeza não serão beneficiadas com os programas habitacionais que transferem recursos públicos para empresas privadas lotearem o solo urbano em condomínios fechados e “bairros planejados”. Sem a possibilidade de adquirir a casa própria ou destinar a pouca renda ao pagamento de aluguéis, o que resta ao povo pobre, para garantir necessidade básica de morar, é pressionar pelo cumprimento do seu direito. Ocupando, exigimos o posicionamento do poder público para a solução dos problemas das famílias.


Feira de Santana, 25 de abril de 2011

Movimento dos Sem Teto da Bahia